Comissão especial deve votar em março mudanças do Senado ao texto que estabelece metas do ensino brasileiro para a próxima década. Depois, proposta segue para o Plenário da Câmara. Texto aprovado pelos senadores prevê 10% do PIB para o setor, mas não garante a aplicação das verbas no ensino público.
Neste semestre, os deputados devem analisar e
votar pela segunda e última vez a proposta que estabelece o plano nacional da
educação (PNE – PL 8035/10), com metas para o setor nos próximos dez anos.
O texto, que foi enviado pelo Executivo no final
de 2010 (no final da vigência do plano anterior), já havia sido aprovado pela Câmara em 2012, com o objetivo de
investimento de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em programas da área. Os
senadores concordaram com o número, mas mudaram alguns pontos da proposta. Por
essa razão, o texto voltou para exame dos deputados – a comissão especial responsável
pela matéria espera votar até o dia 12 de março as alterações
aprovadas pelo Senado; depois, o texto seguirá para o Plenário da Câmara.
Deputados ligados ao tema acreditam que o PNE
será votado pelo Plenário e seguirá para sanção da presidente da República,
Dilma Rousseff, antes de julho de 2014.
Metas consensuais
Entre as metas acordadas entre deputados e
senadores para os próximos anos estão:
- universalização do ensino dos quatro aos 17 anos de idade;
- educação em tempo integral em metade das escolas do ensino básico;
- erradicação do analfabetismo absoluto;
- expansão do ensino profissional técnico de nível médio;
- formação em nível de mestrado ou doutorado de pelo menos 75% dos professores de universidades; e
- titulação de 60 mil mestres e 25 mil doutores a cada ano.
- universalização do ensino dos quatro aos 17 anos de idade;
- educação em tempo integral em metade das escolas do ensino básico;
- erradicação do analfabetismo absoluto;
- expansão do ensino profissional técnico de nível médio;
- formação em nível de mestrado ou doutorado de pelo menos 75% dos professores de universidades; e
- titulação de 60 mil mestres e 25 mil doutores a cada ano.
Aplicação das verbas
Uma das principais diferenças entre os textos da
Câmara e do Senado, no entanto, diz respeito ao destino das verbas públicas
aplicadas no setor. Após muitas manifestações, os deputados aumentaram de 7%
para 10% do PIB o dinheiro que deve ser investido em ensino em até dez anos
após a publicação do novo PNE.
De acordo com a versão aprovada pela Câmara,
porém, toda a verba deve ser investida em educação pública. A proposta do
Senado é que esse valor sirva também para convênios e parcerias com
instituições privadas, como o Sistema S, as instituições filantrópicas e
as universidades privadas que recebem bolsas de estudo do setor público, como é
o caso do Programa Universidade para Todos (Prouni).
O relator da proposta, deputado Angelo Vanhoni
(PT-PR), acredita que a divisão de verbas possa prejudicar os objetivos do
setor público: “Os setores educacionais do nosso País têm receio de que o
Estado possa direcionar mais recursos para convênios com escolas filantrópicas
e comunitárias sem fins lucrativos do que aplicar no sistema público”.
Royalties
Em 2013, a Câmara aprovou a proposta que destina 75%
dos royalties do petróleo para a educação; e 25% para a saúde. O
texto já virou lei (12.858/13) e, segundo cálculos do relator, deputado André
Figueiredo (PDT-CE), o total de recursos à disposição dessas áreas aumentará de
R$ 25,8 bilhões para R$ 335,8 bilhões em dez anos.
Apesar do aumento das verbas previstas para a
educação, críticos ao texto atual do PNE acreditam que as metas não serão
cumpridas se não houver alguma espécie de punição para os entes federativos.
Isso porque o projeto de lei não estabelece qualquer sanção para o governo que
deixar de cumprir uma estratégia ou não alcançar uma meta intermediária da
proposta, por exemplo.
“Deve haver responsabilização. O plano nacional é
um avanço, mas, se não houver sanção vinculada e monitoramento, é possível que
cheguemos ao final de dez anos sem cumprir os objetivos, como aconteceu com o
último PNE”, alertou a deputada Professora Dorinha Seabra Rezende (DEM-TO).
Autor: Agência Câmara
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