Educação em tempo integral para pelo menos 1/4 dos
alunos do ensino básico é uma das metas do Plano Nacional de Educação (PNE –
PL 8035/10), que será votado
pelos deputados nos próximos meses. Hoje, pouco mais de três milhões de
estudantes dos colégios públicos têm atividades educacionais por pelo menos
sete horas diárias, de segunda a sexta-feira. A ideia é que, em dez anos, mais
de 11 milhões de crianças e jovens tenham aulas durante todo o dia em pelo
menos metade das escolas públicas brasileiras.
Para atingir esse número, será preciso aumentar a
quantidade de colégios e de professores disponíveis, uma vez que, atualmente,
as instituições em geral atendem aos alunos em dois turnos – manhã e tarde.
Segundo o presidente da Comissão de Educação da Câmara, deputado Gabriel
Chalita (PMDB-SP), o esforço vale a pena.
“Um aluno que é cuidado o dia todo aprende mais,
tem um rendimento melhor e mais condições de entrar no mercado de trabalho de
forma tranquila. Isso quebra o mito de que algumas pessoas são inteligentes e
outras não; a questão é dar oportunidade para o desenvolvimento das
habilidades”, argumentou Chalita.
“As crianças precisam permanecer na escola para
aprender as regras sociais e formar com os colegas uma comunidade. Assim, a
gente diminui problemas gravíssimos, como a violência”, acrescentou a
professora da Fundação Anísio Teixeira Maria José Rocha.
Dobro de escolas
Os alunos das 50 mil escolas que hoje têm aulas em
período integral recebem três refeições diárias e fazem atividades esportivas,
de reforço escolar, cultura e artes, entre outras. Para chegar aos 50%
previstos no PNE, será necessário dobrar o número de instituições adaptadas à
jornada dupla. A secretária de educação continuada do Ministério da Educação,
Macaé Evaristo dos Santos, acredita que a medida seja possível. “Desde que haja
um esforço que incorpore uma ação do governo federal, mas também de estados e
municípios”, condicionou.
Conforme a deputada Professora Dorinha Seabra
Rezende (DEM-TO), porém, essa meta esbarra no mesmo problema que enfrentam
várias outras: o texto do PNE não define qual é o ente responsável pela medida.
Para Dorinha, estados e municípios devem pagar a maior parte da conta. “Na
verdade, quem acaba botando mais dinheiro é quem está com a pressão na sua
porta – estados e municípios. É quem tem as maiores redes, quem atende à
educação básica”.
A fim de assegurar ensino integral para 11 milhões
de alunos da educação básica, que inclui a educação infantil e os ensinos
fundamental e médio, será necessário melhorar a infraestrutura das escolas, com
a construção de quadras poliesportivas, laboratórios de ciências e informática,
auditórios, refeitórios e banheiros, por exemplo.
Índices educacionais
O relator da proposta na Câmara, deputado Angelo
Vanhoni (PT-PR), acredita que a escola de dupla jornada deve ajudar ainda a
melhorar os índices da educação brasileira em comparação com o resto do mundo.
“Em Portugal ou na Alemanha, os pais entregam a criança às 8 horas e vão
buscá-la às 17h”, exemplificou. “Não podemos comparar os índices educacionais
colhidos pelo sistema educacional europeu com a realidade brasileira. Temos um
tempo menor para a dedicação à aprendizagem; nossas escolas não estão preparadas
ainda para a educação em tempo integral”, completou.
No último Pisa, que é o Programa Internacional de
Avaliação de Estudantes desenvolvido pela Organização para Cooperação e
Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil ficou em 59º lugar em um ranking dos
alunos de 65 países em provas de ciência. A lista é resultado de um exame feito
por estudantes de 15 e 16 anos de idade. Em matemática, o Brasil ocupou a 58ª
posição e, em leitura, a 55ª entre os 65 países.
Autor: Agência Câmara
http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/EDUCACAO-E-CULTURA/462128-PNE-PREVE-ENSINO-INTEGRAL-EM-METADE-DAS-ESCOLAS-PUBLICAS.html
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