Algumas fases tendem a ser comum para a maioria das crianças
Ainda que as pessoas apresentem diferenças, é possível prever o que ocorre em cada etapa de aquisição da linguagem por faixa etária, segundo o fonoaudiólogo especialista em linguagem e doutor em pediatria Márcio Pezzini França:De 0 a 12 meses:
Etapa Etapa preciosa, que define o uso do corpo e da linguagem como
ferramenta de comunicação. Fazer aquela festa quando a criança emite sons,
repetindo-os e dando significado a eles, é muito importante. Cuidadores devem
estimular a linguagem de forma adequada, nada de muito complexo: conversar com
o bebê, narrar o que está acontecendo e o que vão fazer, nomear objetos e
pessoas. Como produto disso, por volta dos 12 meses, o bebê emitirá sons com
intenção e significado, sendo normal que estabeleça esse aprendizado um pouco
antes ou um pouco depois.
1 a 2 anos:
Os primeiros sons estarão entre os fonemas “p”, “b”, “t”, “d”, “k”, “g”, “m”
e “n” pela sua simplicidade de articulação, comparados com os demais do
português. As crianças formarão pequenas sílabas e essas, acrescidas de
repetição, formarão as “palavrinhas”. Por exemplo, mamãe passa de “mã” a
“mãmã”. E, assim, forma-se um vocabulário infantil de consenso coletivo:
“papá”, “vóvó”, “nenê”, “cocó”, entre outras. Também, ao longo desse período,
deverão adquirir todas as vogais. Até completar dois anos, acrescentarão os
fonemas “nh”, “f”, “v”, “s” e “z”. E começarão a juntar sílabas diferentes para
formar pequenas palavras. Depois, formarão frases com duas ou três palavras.
2 e 3 anosOcorre o grande avanço da linguagem. A criança aprenderá mais alguns fonemas (“ch”, “j”, “ti”, “di” e “l”), suas palavras terão menos trocas e omissões e ela começará a estruturar frases mais complexas. Fará pequenos relatos e travará bons diálogos, surgindo com novas palavras diariamente.
3 e 4 anos
As frases ficam mais completas, com quase todos os elementos, porém, ainda com falhas nas flexões verbais (por exemplo, “eu comi”, “eu cai”, “eu di”, em vez de “eu dei”). Quanto à aquisição fonêmica, começa a utilizar “lh”, “r” e “rr” em algumas palavras, não em todas.
4 e 5 anos
Finalização da aquisição fonêmica. Até por volta dos cinco anos, a criança falará as palavras no padrão do adulto. Últimas aquisições: “r” e “l” ao lado de outra consoante, tal como, “preto”, “branco”, “clube”, “planta”.
Dicas para pais e educadores
— A estimulação pode ser diferente em cada etapa. Atitudes simples, como narrar o que está fazendo ou o que irá fazer, ler histórias, ouvir e cantar músicas e brincar com a criança, são formas de apresentar o mundo, formar laços afetivos saudáveis e confiáveis, a fim de que o aprendizado da língua se dê em um ambiente estimulante, seguro e prazeroso.
— A leitura é um estímulo excelente, que deve começar desde bebê. À medida que a criança vai aumentando sua capacidade de se concentrar numa mesma atividade, seu aproveitamento será maior. Lembre-se de que as histórias infantis permitem a ampliação do vocabulário, aguçam suas curiosidades e a interpretação das falas dos personagens com inflexões vocais marcantes e favorecem estímulos num ambiente recheado de fantasia.
— A música aprimora a acuidade auditiva e exige acompanhar determinado ritmo, ou seja, exercita dimensões de tempo e do espaço no ambiente da linguagem. Além disso, pode ampliar o vocabulário e favorecer a aquisição dos fonemas.
— O adulto é quem deve dar o modelo correto das palavras e não o inverso – como passar a falar como a criança porque acha bonito. Utilizar um vocabulário infantilizado ou cheio de palavras no diminutivo (terminar tudo com “inho” e “inha”) pode atrapalhar o desenvolvimento.
— Uma coisa é dar o modelo correto, outra é corrigir e exigir que se fale certo. No segundo caso, deve-se ter segurança se a criança já adquiriu o fonema que está sendo omitido ou substituído na palavra. Afinal, exigir que ela faça algo a que não está habilitada pode gerar frustração e fuga da comunicação oral, em vez de estimular.
Fonte: fonoaudiólogo especialista em linguagem e doutor em pediatria Márcio Pezzini França, professor da UFRGS


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