Algumas
vezes é na escola que explodem conflitos originados fora da instituição.
E isso tem se tornado ainda mais frequente com o uso das redes sociais, lugar
onde têm sido expostos e compartilhados sentimentos positivos e negativos em
relação a tudo e a todos.
O que
fazer? Delimitar o espaço de atuação da escola, agindo somente sobre os
desafios que nela surgem, ou, perceber que, na maioria das vezes, os
sujeitos envolvidos nos conflitos fora dos muros são, também, nossos
alunos?
Com base
nas ideias que tenho defendido, torna-se clara minha escolha pela segunda
alternativa. Tudo é uma questão de coerência: se pretendemos trabalhar o ser
humano aluno, ele não existe somente entre os muros da escola. É
exatamente pelas atitudes que os meninos e as meninas têm longe dos
olhos vigilantes dos adultos que os orientam que podemos mensurar o quanto
nosso trabalho de formação – moral e social – está (ou não) voltado para a
construção da autonomia e de personalidades éticas.
É
inaceitável fingir que não sabemos ou fechar os olhos diante de situações
gravíssimas como, por exemplo, o uso inadequado de aplicativos como o Secret,
“segredo”, em inglês, em que os usuários compartilham textos e imagens com
seus amigos sem se identificar. E você pode pensar: “Ah, mas esse
assunto já foi resolvido pela justiça brasileira e o uso do aplicativo foi
proibido em nosso país”. Mas não é a restrição legal de qualquer que seja a
ferramenta virtual ou substância que irá assegurar aos nossos meninos e meninas
a escolha por atitudes construtivas.
Entendo e
concordo que nossa responsabilidade aumenta – e muito – quando nos implicamos
com as questões vindas do lado de fora da escola. Mas o grande desafio dos
educadores é conceber a vida real e os fatos do mundo como matéria-prima do seu
trabalho. A escola que se restringe aos conteúdos programáticos fatalmente
falha na formação do ser humano. E convenhamos: é de seres humanos melhores
que o mundo precisa.
Pois
então, encaremos a realidade, não há possibilidade de um clima favorável de
aprendizagem se as pessoas envolvidas estiverem somente de corpo presente.
Há o mito de que não cabe à escola se envolver nos conflitos externos à
instituição, mas o trabalho voltado para o cotidiano não descarta espaços
de discussão e reflexão sobre essas questões externas. Respeitando o que é de âmbito
privado, devemos garantir os momentos de troca de diferentes pontos de
vista acerca das mais diversas situações de vida, de acolhimento dos
sentimentos, dúvidas e angústias do grupo, e da prática do respeito mútuo. Isso
envolve, necessariamente, o exercício de escuta e de comprometimento com o
desenvolvimento. Não cabe à escola solucionar todos os problemas, entretanto, é
(ou deveria ser) também de responsabilidade da escola promover espaços de
debate sobre maneiras positivas de viver um conflito, propor alternativas que
assegurem o direito de todos, retomando seus deveres quanto à convivência
pacífica e respeitosa.
Os
avanços da tecnologia e a dinâmica da sociedade atual ainda trarão inúmeros
desafios para o ambiente escolar. Não há como blindar a instituição
contra temas, fatos e episódios que rondam a vida de nossos alunos. Afinal,
como referência que somos, nossa postura de lucidez e acolhimento pode
representar o único porto seguro para muitos estudantes.
Imaginar
que seja possível o aluno deixar do lado de fora da escola angústias e
inquietações causadas por conflitos iniciados em outros ambientes é o mesmo que
acreditar na possiblidade de deixarmos também em casa nossa gaveta de problemas
e preocupações.
E você? O
que pensa sobre o tema? Cabe ou não à escola contribuir com questões vindas de
fora?
Deixe seu comentário. Ele é sempre muito bem-vindo.
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