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| (Foto: Mariana Leal/MEC) |
Terceira versão deve sair em março. Entenda qual é o caminho que o documento deve percorrer até virar currículo nas escolas brasileiras
Na última quinta-feira (26/1), em evento sobre os avanços no processo de elaboração da terceira versão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o Ministério da Educação (MEC) anunciou o cronograma do documento que vai definir os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento para cada ano da Educação Básica. Nesta semana, o texto foi apresentado para o Conselho Nacional de Educação (CNE), a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed). Ele tem recebido sugestões desses órgãos, de especialistas, associações científicas e professores universitários. A previsão é que essa etapa de leituras críticas seja encerrada até 15 de fevereiro e que a terceira – e última – versão do documento voltado à Educação Infantil e ao Ensino Fundamental esteja concluída até março, quando o material deve ser entregue para o CNE (veja a linha do tempo sobre o caminho percorrido até aqui).
O documento ainda passará
por cinco audiências públicas (uma em cada região do país). “Só depois
de reaberta a discussão com a sociedade é que será elaborado o parecer
do Conselho, o que requer tempo. Até o final do ano, provavelmente o
documento será aprovado pelo MEC”, prevê Alessio Costa, presidente da
Undime. A construção das diretrizes para o Ensino Médio deve começar
apenas após a aprovação da Medida Provisória (MP) 746, que reforma essa
etapa de ensino.
Primeira fase da implementação
Kátia
Smole, doutora em Educação e integrante do Movimento pela Base Nacional
Comum, explica que, após a homologação do documento, a BNCC começa a
valer. “Mas não dá para imaginar que ela é homologada em setembro, por
exemplo, e já começa a ser aplicada nas escolas em fevereiro”, coloca.
De acordo com ela, ainda será necessário um programa de implementação da
Base. Esse período será dedicado a pensar políticas públicas que apoiem
a consolidação do documento em conteúdos a serem ensinados pelos
professores.
Para o presidente da
Undime, será preciso um amplo trabalho de formação para que as equipes
técnicas consigam auxiliar no processo de reelaboração dos currículos
com base nas definições da BNCC. “Por isso, acreditamos que precisa
existir um trabalho articulado entre governo, municípios, estados e
órgãos como Undime e Conselho Nacional de Secretários de Educação
(Consed)”, analisa Alessio. “Dentro desse contexto, defendemos uma rede
de formadores que possam ir até as cidades para dar orientações e apoiar
a reformulação dos currículos locais, o que exige um conhecimento
técnico e um processo participativo com a comunidade educadora”, diz.
Adequação dos currículos
As
redes e as escolas - inclusive as particulares - que já têm um
currículo estruturado precisarão rever os pontos do documento que estão
de acordo com a proposta nacional e o que deve ser modificado para
contemplar a Base. Alessio explica que as unidades escolares podem
elaborar seus currículos, o que não impede que um município, por
exemplo, monte um modelo que seja seguido ou adaptado pelas
instituições. “Uma maneira interessante de realizar isso é chamar todas
as escolas para a construção coletiva da cidade”, sugere o presidente da
Undime. As famílias e a população em geral também precisarão ser
comunicadas para que conheçam e saibam como podem acompanhar o
desenvolvimento das crianças.
Formação inicial e continuada
Quem
está na sala de aula vai precisar se adaptar, bem como as próximas
gerações de professores que estão em processo de formação. Os docentes
terão de conhecer as mudanças curriculares e saber como adequá-las ao
seu planejamento. “Isso deve levar à criação de sistemas de apoio
pedagógico, que auxiliem o professor a fazer os ajustes necessários e
mostrem como colocar em prática esses novos conhecimentos”, pontua
Kátia. Também será preciso que as universidades, em parceria com o MEC,
pensem as mudanças em seus currículos para que os futuros docentes
conheçam a Base.
Materiais didáticos e avaliações externas
Em
paralelo, será preciso rever sistemas de monitoramento do ensino, como a
Prova Brasil e o Exame Nacional do Ensino Médio. “Essas avaliações
servirão de termômetro para medir os resultados efetivos da Base”,
coloca Kátia Smole. Todos os livros didáticos também vão precisar se
alinhar às expectativas para cada ano. Editoras e autores necessitarão
de um tempo para realizar esses ajustes nas obras. De acordo com a
integrante do Movimento pela Base Nacional Comum, essa parte do processo
deve começar em 2018, após a aprovação do texto final, e provavelmente
vai levar cerca de dois a três anos. Mesmo tempo que a BNCC deve começar
a entrar na sala de aula. E, depois de cinco a dez anos, a BNCC deve
ser revista, de acordo com os resultados da implementação.
Fonte: Nova Escolahttps://goo.gl/7eHruj

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