É muito comum associarmos a responsabilidade da educação apenas
à escola. Contudo, cada vez mais, especialistas discutem que a agenda da
educação, especialmente a da Educação Integral, parte da articulação e
co-responsabilização não só da escola, mas da gestão pública por ela
responsável e da comunidade onde está inserida.
Algumas comunidades, como a de Heliópolis, bairro da zona sul da cidade de São Paulo, já assumem a agenda da educação como uma agenda coletiva, em que todos participam de um processo colaborativo no que se refere a educação dos indivíduos de um mesmo território.
Esse diálogo com a escola pode partir de diferentes caminhos: a escola pode buscar organicamente o apoio da comunidade. E esse apoio pode ser incentivado por programas ou políticas públicas (como o Mais Educação ou o Mais Cultura na Escola) ou pode partir de organizações ou movimentos sociais, equipamentos públicos e coletivos que representem a comunidade.
Ao decidir apoiar uma escola na implementação de uma atividade ou proposta de Educação Integral, é preciso levar em conta a importância do diálogo com a instituição. Cada escola tem sua autonomia e modo de funcionamento garantido por instrumentos legais que preveem que a proposta pedagógica da escola seja construída pela comunidade escolar: direção, professores, funcionários, pais e estudantes. Assim, é necessário pensar como, salvaguardando a autonomia escolar, é possível apoiá-la.
De acordo
com a publicação do MEC, Caminhos para elaborar uma proposta de Educação Integral em
Jornada Ampliada, é fundamental que escola e comunidade dialoguem
em uma perspectiva comum, garantindo que os processos educativos possam ser
realizados conjuntamente e não em caminhos paralelos que não se encontram. A
ideia é justamente garantir que “cada instituição possa compartilhar
responsabilidades, inter-relacionar-se e transformar-se no encontro com o
outro; a escola e demais instituições sociais podem ser orientadas a se
constituir como uma comunidade de aprendizagem.”
Ainda
segundo o texto, essa conexão possibilita o exercício das relações sociais
democráticas. “Ao ligar escola e comunidade, nas muitas e complexas
possibilidades territoriais do seu modo de existir, a educação torna-se
instrumento de democracia, possibilitando à criança, ao jovem e ao adulto
entenderem a sociedade e participarem das decisões que afetam o lugar onde
vivem, sua escola, seu bairro e sua vizinhança, tornando-se parceiros de seu
desenvolvimento sustentável.”
Para o
educador Paulo Freire, nessa mesma perspectiva, o processo educativo está
intrinsecamente conectado à cultura democrática, que convida os estudantes e
educadores – sejam eles da educação formal ou membros da comunidade-, a
construírem dialogicamente as relações de ensino-aprendizagem e de tomadas de
decisão em uma sociedade. Segundo o educador, no livro Educação e
Participação Comunitária, “só decidindo se aprende a decidir e só pela
decisão se alcança a autonomia.”
Por Jéssica Moreira
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