Educação básica ainda está na
metade do século XX, diz cientista político.
Valorizar o professor é essencial, destaca o economista Ricardo Henriques.
Valorizar o professor é essencial, destaca o economista Ricardo Henriques.
Que valor o brasileiro dá ao
conhecimento? Professores mais bem pagos produzem uma educação melhor? Escola
pública é para os menos favorecidos? Há aluno que não aprende de jeito nenhum?
Para debater estes quatro mitos da educação no Brasil, o seminário da parceria
Globo Educação e GloboNews convidou quatro especialistas: Cleuza
Rodrigues Repulho, secretária de Educação de São Bernardo do Campo (SP) e
presidente nacional da União Nacional dos Dirigentes Municipais de
Educação (Undime); Fernando Abrúcio, cientista político, professor da
FGV e comentarista da rádio CBN; Luiz Felipe Pondé, doutor em Filosofia,
professor da PUC-SP e da Faap; e Ricardo Henriques, economista, superintendente
executivo do Instituto Unibanco e professor da UFF.
Mito ou fato: o brasileiro dá
valor à educação?
Para Ricardo Henriques, a geração
que não foi escolarizada busca a mobilidade social colocando seus filhos na
escola. “No entanto, tem a memória ainda, dada a sua baixa escolarização, que
rebate na não valorização da educação. Por outro lado, a gente tem outro grande
desafio: a elite brasileira ainda não reconhece o conhecimento como uma
variável crucial para a mudança do país”, aponta.
Segundo Fernando Abrúcio, é
preciso aproximar o conhecimento transmitido na escola do cotidiano dos jovens.
“Se a gente não conseguir mostrar a relação entre a educação e a vida das
pessoas, é muito difícil que as pessoas deem valor à educação”, avalia.
Mito ou fato: se os professores
recebem melhores salários, a educação vai melhorar?
O economista Ricardo Henriques
acredita que o salário do professor é importante, mas é apenas uma dimensão da
educação. “Se a gente tiver em mente que a principal tecnologia da educação é a
pedagogia, é evidente que o papel do professor é a unidade vital para fazer com
que essa máquina funcione. Valorizar o professor é essencial”, destaca.
Diante da baixa remuneração,
muitos professores acabam desistindo das salas de aula. “Não pode ser
penalidade ficar na sala de aula. Às vezes, você vê redes públicas que tem
tanta gratificação para quem fica fora da sala e nada para quem fica na sala”,
diz Cleuza Rodrigues Repulho. Ela ressalta que as universidades públicas, que
recebem a maior parte dos investimentos, devolvem poucos profissionais para a
base.
Mito ou fato: escola pública é
escola de pobre?
“Escola pública deveria ser uma
escola a que você tem acesso porque paga imposto. Do ponto de vista concreto, a
percepção que a maior parte da população tem é de que é escola de pobre”, diz
Luiz Felipe Pondé.
De acordo com Ricardo Henriques,
o país perdeu, nos anos 70, a oportunidade de massificar a educação com
qualidade. “A gente perdeu o momento histórico, que tinha demografia favorável,
taxas da economia muito fortes e capacidade de dar conta de massificar e
financiar a escola pública. Provavelmente, isso mudaria a qualidade do país.
Educação de qualidade é uma frase elegante, mas frágil em todos os seus
elementos”, afirma.
Mito ou fato: tem aluno que não
tem jeito, não aprende?
Para Luiz Felipe Pondé, são dois
os mitos. “De um lado, esse mito negativo de que tem aluno que não aprende e,
do outro, que todos são iguais, tão negativo quanto. A educação sofre muitas
vezes com os mitos de perfeição que a própria teoria da educação produziu sobre
o ser humano”, acredita.
Segundo Fernando Abrúcio, a
escola não tem acompanhado as mudanças na sociedade. “A juventude, com esse
mundo digital, tem um modo de vida que a educação não acompanhou. Nossa
educação básica ainda está na metade do século XX, se eu for muito otimista,
enquanto a sociedade já avançou”, diz.
Autor: Globo News

0 comentários:
Postar um comentário